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Cultura – Adriana de Los Santos vai representar o Brasil, em Festival de Acordeon, na Europa

Entre abril e maio de 2026, a musicista Adriana de Los Santos, natural de Guaíba, mas que reside em Butiá há muitos anos, foi escolhida para representar o Brasil, no Akkordeonale – Internationales Akkordeon Festival, uma turnê passando pela Suíça, Áustria e Alemanha.



Única mulher, em meio de três outros músicos escolhidos pelo mundo, ela esteve na redação do Meta, contando da experiência em 2024, e a expectativa agora para 2026 entre outros temas.


-Eu sou natural de Guaíba, mas mais da metade da minha vida eu vivo em Butiá, onde fui muito bem acolhida desde que eu vim para cá entre 1996 e 97, foram muitas indas e vindas. E mesmo quando morei em Porto Alegre, continuava vindo para cá para dar aulas na Fábrica de Gaiteiros, que agora em 2026, completa 12 anos. Mas agora já fazem seis anos que voltei para cá, e sempre tive essa ligação muito forte com a cidade.


A Fábrica de Gaiteiros onde a Adriana ministra aulas de acordeon em Butiá, teve os “primeiros passos” em 2014 e em 2015 se estabeleceu, é um projeto do Instituto Renato Borghetti de Cultura e Música, que oferece aulas gratuitas de acordeão  (gaita de oito baixos), para crianças e jovens de 6 a 15 anos. 


- Já passaram tantas crianças pela Fábrica de Gaiteiros, eu guardo a fisionomia de cada uma, e aqui sempre acabo encontrando eles e me chamam ainda de professora, e alguns já são adultos, tem filhos,  é uma relação que fica.



Esta turnê internacional inicia em 08 de abril e se estende a 12 de maio, com apresentações culturais em vários lugares. E ela falou sobre a experiência que teve em 2014, quando participou pela primeira vez do Akkordeonale.


- Em 2014, foi a minha primeira viagem para Europa, eu estava nervosa pois fui sozinha, com uma visão de “aventureira”, estava ansiosa, mas sem medo. E foi uma experiência que mudou muita coisa para mim.


Na volta, em razão desta participação recebi o Prêmio de Melhor Instrumentista Vitor Mateus Teixeira, concedido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. E neste ano ainda participei da Fiesta Internacional do Chamamé, representando o Brasil e o RS.


Ela contou que o Maestro Cervaes, é o idealizador do festival, onde convida alguns acordeonistas do mundo, que compõe este elenco de músicos.


-É uma responsabilidade muito grande, eu estou estudando as músicas para apresentar lá, pois não vou tocar apenas músicas do RS, mas vou também tocar músicas das culturas destes outros músicos de outros países, que também foram convidados.


Da primeira vez ela comentou que foi com “gaita, mala e cuia”, e desta vez sente que a responsabilidade ainda está maior.


- Eu tenho uma visão de que cada passo que a gente dá não é para inflar o ego, mas o peso e a responsabilidade ficam maiores. Pois se eu me saí bem no primeiro, desta vez eu preciso superar. E essas músicas que estou estudando são bem mais difíceis do que as de 2014, mas missão dada, missão cumprida.


Adriana é vista também como referência na luta por maior visibilidade das mulheres, na música tradicional do Rio Grande do Sul, e contou como está a questão deste espaço, neste meio atualmente.


- Sobre a visibilidade da mulher dentro do meio cultural tradicionalista, observo que de dois anos para cá está ficou cada vez mais difícil, com mais barreiras e preconceitos. Está muito mais complicado entrar no mercado.



Quando comecei em 2005 com o Grupo As Gurias, depois passou para As Gurias, tínhamos uma média de shows de 18 por mês, fico me perguntando o que aconteceu para estagnar esta evolução. Muitas mulheres da música não estão conseguindo espaço, basta observar a semana farroupilha, maioria de homens se apresentando. Falta um fomento das mídias, em colocar a mulher como referência, para que isso atraia as produtoras e os contratos.


Em 2025 mesmo, ela utilizou umas fotos já usadas em anos anteriores em campanhas de prevenção do câncer de mama, para falar sobre a invisibilidade das mulheres no meio tradicionalista, o que gerou uma certa polêmica.


- Tem até uma questão polêmica, quando em outubro de 2025 fiz umas fotos para chamar atenção para importância da prevenção do câncer, e faziam anos que eu não estava notando a repercussão nesta minha iniciativa. Eu tenho alunas, e o público que vai nos shows também é jovem, então achei importante chamar atenção para o auto cuidado e a prevenção, que pode salvar vidas, e foi com essa intenção que produzi as fotos.

 

Ela fala desta dificuldade, inclusive quando as mulheres passaram a usar bombacha e no início enfrentaram preconceito.


- Precisa ser revisto, pois a cultura gaúcha não é apenas do gaúcho. É a prenda e o peão. Então porque no palco a prenda, ou a mulher de bombacha não se faz tão presente? E tem o preconceito, desde 2005 com a questão da mulher usar a bombacha, mas hoje vemos muitas grifes, com modelos muito bonitos, o que foi uma evolução. Então por que estas mulheres não tem tanto acesso aos palcos, como homens? Os governos, os secretários de cultura, deveriam atender as mulheres, precisa ser revisto esta parte.


Mas ela comentou que tem muitos amigos músicos que apoiam as mulheres no meio, o problema não vem deles em si.


- E tem muitos músicos homens que apoiam as mulheres, eu me refiro as produtoras e as mídias que precisam repensar essa valorização da mulher, no cenário tradicionalista.

 

Adriana declarou que “estou ansiosa com a viagem, espero me sair bem, sei que chegando lá o nervosismo vai ser grande por que são músicos muito competentes. Espero suprir toda a expectativa, pois o festival passa por lugares renomados na Alemanha, Suíça e Áustria. E da última vez chamou atenção a nossa cultura, com as vestimentas acharam lindo”.


O Grupo de Comunicação Meta News deseja muito sucesso, troca e crescimento a Adriana, que certamente muito vai nos orgulhar, lá fora.

 

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