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Especial História - A história, do professor de História, da edição 184

E quem já não se apaixonou pela disciplina de história na escola, por causa do professor? Muitos, certamente.


Mas a história do Igor, que se transformou em professor de história, curiosamente não inicia pela paixão em lecionar. Pelo contrário, mas a sala de aula, mudou esta concepção para sempre.


As nossas histórias iniciam sempre com as relações familiares, o exemplo dos pais, a admiração por um tio, um primo, e por isso a do Igor não é diferente, pois quando ele começa a falar do pai e da mãe, ficou nítido o que constituiu sua identidade.



Descreveu o pai como “homem íntegro, honesto e incapaz de tirar proveito de alguma situação”. Que entre os seus ensinamentos estava não negociar valores, ter caráter, enfrentar tudo com verdade, ter humildade quando estiver errado, mas estando certo nunca se “abaixar”; sempre falava sobre honrar a palavra e o nome que se carrega, e quem conhece e convive com Igor, até fica confuso, pois parece uma descrição dele próprio.


- Meu pai, Elson Voltaire da Silva Lopes (in memoriam/2020) mais conhecido como Teco, foi locutor da Rádio Butiá, fez parte da primeira administração da cidade, como Vereador; foi Presidente do Clube Butiá; atuou como Secretário de Obras no governo do prefeito Rubens Carvalho; foi presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas. Sempre falava sobre honrar a palavra e o nome que se carrega. Ele me ensinou a dirigir, em um fusca azul, na Perimetral de Butiá. O meu Pai me faz uma falta tremenda, ainda me pego procurando por ele para pedir conselhos.


Já a mãe, Joana Amaral Lopes (In memoriam/2016) trouxe a essência do amor para ele e família, como sinônimo de acolhimento.


- Minha mãe foi só amor! Era dona de casa, criou 5 filhos e 2 netos, com todo o carinho do mundo. Acolhia todos em casa. Sempre tivemos casa cheia, com tios, primos, irmãos, sobrinhos, amigos. Suas comidas eram as melhores, porque gostava de cozinhar pra gente e esperava elogios (conta, rindo). Minha Mãe sempre incentivava os laços familiares e a união de todos. Também me faz uma falta imensa!


Igor é o filho mais novo de quatro irmãos, três homens e uma mulher, contou que nasceu no dia do aniversário da irmã de 15 anos, “fui o presente dela, e ela levou a sério, tomou conta de mim a vida toda. Tivemos uma infância muito boa!”


A constituição familiar dele integrou a esposa, Marcia Fabiana, professora e com quem está casado há 21 anos e as filhas Isabella, de 16 e Joana de 6 anos. Ele diz que “apesar de trabalharmos muito e estarmos a maior parte do tempo nas escolas, tentamos buscar qualidade de vida, procuramos sempre ficar juntos nos momentos de folga, seja em casa ou aproveitando para passear, conhecer lugares e criar memórias afetivas”.


Igor estudou no Mauá até a 4ª série do fundamental. Após no Cenecista Professor Alcides Conter, até a 8ª série e o ensino médio, foi em São Jerônimo, no Técnico em Contabilidade, no Instituto Estadual São Jerônimo.


E entre suas idas e vindas de Porto Alegre para Butiá, ele atuou como atendente de portaria, auxiliar de escritório, frentista até fazer o vestibular, e passar para História, em 2002, com a pretensão de trabalhar com pesquisa, nos arquivos, mas não como professor.


-Quando na faculdade, acabei estagiando na SMED, em Butiá, na organização da documentação da cidade, que estava guardada no Engenho de propriedade da Professora Truda. E lidando na prática com o que eu aprendia na faculdade, entendi a importância. A secretária de educação, na época, era a professora Rosa Valle, ela me chamou para elaborar um livro de histórias sobre os “Tipos Pitorescos e Originais da cidade”, produzi toda a pesquisa, entrevistei familiares, escrevi os textos e o livro foi impresso e distribuído na cidade.


Então, recebeu o convite para assumir turmas da Escola Maria Alzira, dando aulas de História, que ele negou, mas para não perder o estágio, que precisava para custear os estudos, encarou.


-Cheguei muito contrariado e imensamente angustiado, pois não era o que eu queria fazer, não tinha a menor ideia de como dar aula, e nem queria aprender, pois meus planos eram outros. Disse que ficaria por uns dias até arrumarem outra pessoa, mas a equipe da escola me recebeu muito bem. Agradeço as professoras Sônia Costa Rodrigues, Elizabeth Hoff, Julia Kalata e Marlene Soares.


Exercer a profissão de professor não foi uma “paixão à primeira vista” para o Igor, e sim um grande desafio, inicialmente. Mas ele conta que “quando entendi o que representava para os alunos, aliado ao pensamento que tenho de fazer bem feito tudo que me proponho, me apropriei da situação e fui buscar uma forma de dar aulas que fizessem sentido pra mim e para eles, e deu certo”.


Hoje já são 23 anos atuando como professor. Ele acredita que para ser professor de verdade, precisa “acima de tudo ter a consciência da importância que se tem, querer estar lá e fazer um trabalho bem feito para fazer a diferença. E para fazer diferença exige se conectar emocionalmente com os alunos, usar metodologias ativas com significado, tecnologia e buscar formação contínua. Ser empático e adaptável, e atuar bem como um mentor que estimula o pensamento crítico e a autonomia. Só fica quem tem esperança e teimosia!


E não acaba aí. Mais uma vez sendo desafiado, o diretor da escola municipal Alcides Conter, aos seus 51 anos, será o apresentador do podcast do Grupo de Comunicação Meta News, o Metacast, que tem previsão de iniciar em junho; interessados em patrocinar, podem contatar o (51)99665.6727

 

 

 

 


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